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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Filhos não são Troféus.

“O filho não é e nunca foi um troféu daquele que detém a guarda para que o exiba como um prêmio por ter obtido a vitória. Aliás, nesta disputa nunca haverá vencedores, só perdedores.”


A frase acima descreve que filhos jamais deveriam ser “títulos”, sendo que, em alguns casos, aquele que detém a “guarda”, muitas vezes, explora a imagem, ou a “titularidade de Posse” da criança ou adolescente, visando extrair benefícios, e assim, impõe através de restrições arbitrárias o convívio dos mesmos com uma das partes (a desprovida da guarda, mas vale ressaltar : NÃO DESPORVIDA DO PÁTRIO PODER), permitindo transparecer falta de resolução em relação a separação, cuja ação, caracteriza-se como uma relação perversa, repleta de transferências e projeções daquilo que se é, principalmente, quando à alguém elabora-se um complexo “jogo” onde está explícita a relação entre o “punir” e o que consegue ser compreendido como “poder”, visando estabelecer um sistema de controle para vigiar, “questionar”, espreitar, espiar e sempre tentar construir “verdades” frágeis e parciais, buscando em prejuízo a uma das partes “dominar a situação”.

Os métodos visam desde o cerceamento da liberdade pessoal, até a ilusória “garantia” de manutenção da segurança patrimonial. Vejo ser interessante ressaltar que matrimônio não é empresa, muito menos, tem a particularidade de emprego vitalício, nem tampouco é loteria, porém, apresenta características do falível, e isso torna-se inaceitável ao pragmatismo da moral que busca instituir valores éticos, constituindo paradigmas e preconceitos necessários àquele que visa justificar o que considera “fracasso”, defendendo-se, mesmo que para isso necessite destruir a imagem do outro. É possível vislumbrar na contemporaneidade comportamentos de pais que criam sobre seus filhos um campo de batalha, onde as maiores vítimas serão aqueles que estão desprovidos das disputas de vaidades e orgulhos quanto a uma relação que faliu. Esses filhos, apenas desejam em seus projetos pessoais serem acolhidos, amados e terem seus desenvolvimentos não fragmentados por disputas pessoais. Querem respirar não a truculência apresentada no impulso homicida dos pais separados que degladiam e fazem de suas palavras “gládios”como instrumento fatal para justificarem o nada de suas disputas com cheiro de morte e dor, mas desejam sentir o aroma da existência que, por maiores diferenças apresentem os filhos, esses ainda crêem na esperança da estruturação e na vitória de seus sonhos sobre os pesadelos dos insensatos.


Admitir responsabilidades quanto ao que não deu certo em uma relação pode simbolizar maturidade e um terreno fértil para que os filhos possam estruturar suas vidas, desprovidos dos “monstros” persecutórios construídos pelo frágil discurso onde nada mais reside que a razão das vaidades. Aliás, nada mais frágil que a mesma, afinal, em suas argumentações vemos a necedade (estupidez ou ignorância crassa), a jactância sobrepor-se à liberdade quanto ao direito singular que é reservado aos filhos na construção do que devem ou não sentir em relação aos seus pais.

Portanto, excelente momento esse, onde devemos não somente voltarmo-nos à guarda-compartilhada, mas também rediscutirmos aspectos amplos e de grande relevância sobre a vida dos filhos.



Marcus Antonio Britto de Fleury Junior.

Psicólogo e coordenador do Ateliê de Inteligência.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Os Espinhos São Apenas Sinalizadores das Marcas que Necessitamos Ter.

Parem de vomitar suas desgraças,
Elas tem o gosto dos derrotados nas suas
tramas arquitetadas nas infelicidades sem fim...
Elas não têm fim.

...São as trapaças disfarçadas travestidas de sonhos que
sobrepostos aos que trazem as cicatrizes das lutas infinitas,
buscam impor pela inveja o assassínio das rosas sobre aqueles que não desistiram de seus sonhos ou ideais, e que, mesmo às duras batalhas ainda conseguem sobreviver nos outonos da existência.
Os perversos buscam as primaveras, para que, na beleza das flores que não puderam regar possam sentir os prazeres rápidos e transitórios das emoções de cada estação. Escondem-se também nos invernos, sublimando o frio que lhes é tão peculiar.

Mas saibam, colhemos, colhemos e colhemos depois que semeamos e regamos
com nossas lágrimas durante as caminhadas das nossas histórias que muitos não suportam ver.
Nosso gozo põe nos rostos os medos e as duras penas daqueles que desistiram de si mesmos. Por isso, o encantamento é o prenúncio da formação homicida.
Encantam-se com a beleza do outro, como as estrelas que os outros puderam ver em dias nublados, afinal, o ideal de amor consegue transpor as nuvens cinzas e caminha além da limitação de sorrisos mortos, de máscaras em forma de bondade, onde as palavras do discurso sereno apresentam o “aterrorizante” animal terreno em forma de gente.
Gente que mata, que mata para depois poder morrer nas suas acusações e revolver-se na auto-comiseração da própria perversidade sem comiseração.

Parem de vomitar suas desgraças,
Elas tem o gosto dos derrotados nas suas
tramas arquitetadas nas infelicidades sem fim.

...São as trapaças disfarçadas, travestidas de sonhos
que, sobrepostos aos que trazem as cicatrizes das lutas infinitas,
buscam, impor pela inveja o assassínio das rosas que não conseguiram colher.

O fim é o nada, pois apenas resta aos perversos o vazio do nada que empreendem, mas se esquecem que nos jardins dos que tem a existência por ideal, os espinhos são apenas sinalizadores das marcas que necessitamos ter; os outonos são o tempo que nos recolhemos à recomposição, e as primaveras, a contemplação das vitórias das lutas que nunca abandonamos.



Marcus Antonio Brito de Fleury Junior.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

E NÓS , O QUE GERAMOS?

E nós, o que geramos?


Na ordem constituinte do estado, esse que, na microfísica do poder faz-nos “vizinhos e cúmplices” dos interesses que visam garantir a estruturação que privilegia grupos minoritários, enriquecendo-os cada dia mais, deixando-nos apenas vulneráveis aos ganhos secundários, sublimando as realidades em nossos consumos que “farta-nos” e entorpece-nos gerando a saciedade ilusória, o fetiche da excelência, quando ao consumirmos algo, finjamos como se nada soubéssemos tornamo-nos reféns e todos estamos condenados a subserviência de uns aos outros. Porém, lamentavelmente, a nós desgraçados, nesse cenário onde miséria e dor, vida e morte, amor e ódio se confundem resta-nos a segregação: Ou temos e nos nivelamos às exigências de consumo e de “poder” alimentando o estado através dos impostos pagos e, quanto mais se gera “riquezas”, maiores são os benefícios pessoais obtidos, ou então, seremos remetidos à condenação e lançados ao anonimato histórico. Local esse onde temos nossos óbitos assinados em plena “vida”.

Assim, observamos as relações de poder onde o punir está reservado apenas àqueles que, em suas desesperadas tentativas quanto à própria preservação da espécie, são lançados durante meses nos fundos das celas das penitenciárias, por apenas terem “furtado” um litro de leite, uma margarina para alimentarem seus filhos famintos, sem direito a Hábeas Corpus ou qualquer coisa parecida. Em junho de 2004, M. A de M, 24 anos, perdeu a visão do olho direito depois de ser submetida a maus tratos por ter pego produtos de higiene pessoal equivalentes a 24 reais. A mesma foi condenada a um ano e sete dias de “cadeia”. Antes, tivera negado o pedido para aguardar o julgamento em liberdade e uma solicitação de Hábeas Corpus.

Em São Paulo, S.C, 37 anos fez uma compra no valor de sete reais, devidamente pagos, foi perseguida, agredida e presa sob a alegação em ter pego indevidamente um anti-séptico bucal. Foi presa em uma cela com 16 mulheres, durante mais de uma semana. Em conseqüência disso, voltou a fumar depois de sete anos de interrupção à nicotina. Ainda corre risco em voltar para cadeia.

No estado do Rio de Janeiro, F. O, 29 anos, depois de ser contratado por um vizinho para cortar um saco de capim para alimentar alguns cabritos em troca de um litro de leite para alimentar seu filho, foi preso por desconhecer o que estava escrito em uma placa. O mesmo não teve acesso a escola. Foi remetido à Casa de Custódia, juntamente com 60 outros presos, em 2001 e, somente 34 dias depois saiu do “xadrez”.

Em Brasília, um indivíduo, depois de promover racha que vitimou três mães de família na Ponte J.K, dia 06, de outubro, foi agraciado por Hábeas Corpus. A decisão depois de ser transferida para a 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF. A medida liminar que livrou o acusado da cadeia foi expedida pela Desembargadora Sandra de Satis. Ela tomou a decisão por entender que o MPDF deveria ter oferecido denúncia antes de o juiz decretar a prisão de Timponi, que ficou atrás das grades por apenas seis dias. O novo pedido de prisão temporária havia sido encaminhado ao TJDF pelo promotor do Tribunal do Júri do DF, Maurício Miranda, na tarde desta terça-feira, mas será apreciado daqui alguns dias.

Penso então, que frente a tais circunstâncias, está claro a quem serve Estado. Façamos um “flash back” e recorramos ao evento do “Mensalão”. Alguém pode me responder no que deu? Onde se encontram os “acusados”? Todos esses senhores pertencem aos grupos de bons geradores de impostos ao estado e nós, o que geramos além de nossos filhos e nossas angústias?

Marcus Antonio Britto de Fleury Junior.


































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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

TV O REBATE APRESENTA: Dr. Thomas Szasz

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O que abala as relações de poder, pois o mesmo somente é poder em virtude das fragilidades que o constitui. Assim, as estruturas de repressão são articuladas objetivando recalcar os gritos ,os olhares e as profundas manifestações que conhecem tão bem, que prefeririam desconhecer. Lidar com as diferenças é uma questão árdua , pois perturba a familiaridade próxima com a “loucura” e , nesse momento o mesmo e o outro se confrontam na fracassada tentativa em massacrar a diversidade impondo às mesmas certezas tão abaláveis.

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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Em Brasília o choro ecoa pelas noites.

Em Brasília o choro ecoa pelas noites, percorre as ruas, adentra os lares, transpõem as fronteiras estaduais e invade todos os lares do Brasil impondo um luto, um pesar de lágrimas que escorrem silenciosamente expondo toda nossa fragilidade quando nos deparamos com o fatídico que vitimou nesse final de semana passada três famílias, cujas mães, foram precocemente retiradas do convívio, onde, a doçura dos mais nobres sentimentos estava presente. Hoje, confundem-se pelas lembranças, e a inaceitação do falível, que impõem grande sofrimento e dor, principalmente, quando vidas são extraídas com extrema violência pela agressividade de indivíduos cujo valor da existência assenta-se no nada, pois esses, nada são e, por nada serem, desejam destruir a todos, sem questionar qual o valor que a vida tem, pois esses, paridos foram, porém, nunca nasceram para poderem compreender a grandiosidade das relações e o sentido de coletividade. Ainda encontram-se no anímico, assim sendo, movidos são pelas suas pulsões homicidas, apenas disputam territórios, afinal, o espaço como cidadãos não os satisfaz, e, como vorazes lobos desagregados de suas alcatéias satisfazem-se com o cheiro do sangue e dos corpos que estraçalham. Nesses indivíduos, a pulsão homicida destituída dos limites estruturados pelo superego leva-os a apresentar a tendência em matar, que escapa à consciência, estruturando assim, uma personalidade psicopática, tornando-se visíveis às desagregações impostas pelas neuroses em relação às estruturas sócio-culturais.

Adolf Hitler, em sua estrutura psicopática, vitimou seis milhões de pessoas e o contexto quantitativo não extrai jamais o valor qualitativo do ser humano, pois, a estruturação homicida, em congruência à condensação da pulsão de morte deslocada, independe do número de vítimas que são feitas. Por isso, analiso o lamentável fato ocorrido em Brasília da seguinte maneira: Quando um indivíduo tem 11 multas por velocidade excessiva em vias públicas, pode-se considerar que, inconscientemente, nos deparamos com um homicida em potencial; ou seja, a muito, estrutura sua pulsão homicida visando vitimar pessoas como forma em punir o mundo, utilizando qualquer objeto. Seu intento se concretizou, e agora que vitimou não somente as famílias, mas também, a sociedade, cuja associação faço em relação à figura materna, será em seguida, punido pelo pai, estando esse representado nos processos inconscientes pelo Estado, ao qual foi desafiado em suas leis e limitações por uma pessoa de 49 anos como se travasse uma disputa com o pai e, na tentativa em seduzir a mãe, teve seu projeto frustrado, não conseguindo resignificar a estrutura da castração, perpetuando assim, uma atroz disputa, hoje, deslocada através de sua agressividade às estruturas sociais na tentativa ineficaz em promover a resolução do projeto edipiano e da castração que sofrera na derrota em suas primeiras tentativas em conquistar o “amor” não vivido. O mesmo compreende então que, para sobreviver, há a necessidade em desafiar não apenas seu próprio corpo, mas impor sofrimento e dor aos demais, punindo o mundo na sua derrota pessoal até que seja castigado e visto aos olhos de todos, na inversão do papel do “herói” que não conseguiu estabelecer para si.


Quando o desencanto encontra-se com a esperança, ambas assentam-se e o primeiro impõem que a marca desse mundo é a tragicidade, impossibilitando assim, perversamente, às pessoas em viverem seus papéis, imputando-lhes a vergonha, o medo, a cegueira conversiva, o embotamento, na tentativa em excluir a existência e o prazer.


Marcus Antonio Britto de Fleury Junior