Somos as bolas e os senhores os pés !
A mesma coragem e disposição em bater e amarrar , deveria ser
a mesma em derrubar os governos que não correspondem às propostas de
transformação social. No entanto, é mais fácil, deslocar e transferir todo ódio
e impotência a quem já nasceu marginalizado. Talvez sejamos muito mais
criminosos, afinal, nos compactuamos com os grandes ladrões e assassinos que
estão no poder, e ainda assim, a esses canalhas, depositamos nosso único
instrumento de transformação política em troca de favores, cargos e tantas
outras barganhas.
Assim , a justiça, ou os métodos perversos que iludem
justificar a penalização do outro sob a sentença da “surra”, do linchamento e
de outros métodos, nos leva a refletir sobre aspectos inseridos ao qual
deslocamos e transferimos aos outros, apenas o que recebemos, e claro, em
relação ao contexto político social, o que temos aprendido? Parece-me, que a lição é a de unirmo-nos em
bandos, para que possamos estabelecer criminosamente vantagens tão claras quanto
as que estão nas elevadas esferas das relações de poder quanto a nós e,
dessa forma, como somos diuturnamente surrados por determinados grupos que
assaltam a nação e espancam nossa confusa moral e pretensa honra, esperamos o
primeiro miserável para que, sobre o mesmo, possamos, em seu corpo, deixar as
marcas de nossa explícita miséria como seres indefinidos, mesmo que humanos,
entretanto, pouco estruturados em relação ao que somos.
O que temos sido? Não
sou eu quem vai estabelecer juízo de valores, aliás, são esses juízos de
valores torpes que estão arrastando –nos
ao apelo do ódio, mas , saibamos, por detrás desse sentimento que vitima
milhares de pessoas, há um profundo conflito psicossocial, onde , toda raiva,
ódio, frustração que o estado em sua finalidade nos causa, está agora, numa
onda psicopatológica, explicitando que o sistema , sim, que todo o sistema que
envolve as relações de poder estão deteriorados, apodrecidos, tornando-se a
matriz de toda a violência que nos furta em nossas esperanças , deixando, em nossas mentes, as marcas invisíveis
dos estupros de nossa dignidade.
Enquanto o teatro dos horrores , em sua panaceia, derrama o
sangue de milhares de pessoas, nas
estruturas de poder, grande parte, se preocupa como a performance que poderá
garantir-lhes mas quatro anos , mas , não aprofundam as discussões quanto a
grave crise que assola a nação. Ok, somos a sétima economia do mundo? Tudo bem,
no entanto, pagamos muito caro para dar essa visibilidade , e o que recebemos
de volta? Uma educação que está entre as piores do planeta, um sistema de saúde
que deveria ser um dos melhores do mundo, mas , infelizmente, é insuficiente e,
ao mesmo tempo, desprovido dos recursos
que a dignidade do ser humano e sua complexidade requer. Também figuramos como os piores em relação à
segurança pública e defesa social. Em relação ao crescente número de
dependentes químicos, aí está, eles, são a resposta mais evidente em relação ao
pouco que os senhores e as senhoras fizeram
, pois, o que fazem tem um nome , voto, e o querem a todo preço, mesmo que,
para tê-lo, seja necessário vender e saquear toda a nação.
Somos as bolas , e os senhores, os pés, que nos chutam mais
uma vez para o fosso dos estádios da existência, negando-nos a estabilidade
social, o desenvolvimento sério não maquiado, o amadurecimento de um estado
democrático que debata ideias , jamais egos inflados, ou , personalidades
psicopáticas que se agrupam em quadrilhas, máfias, partidos , ou qualquer outra
maneira que encontrem, pois , a vossas senhorias , senhores políticos, pouco interessam os meios, pois , as
finalidades são bem claras a todos que desejarem assistir a verdadeira tragédia
humana.
Marcus Fleury é psicólogo.
2 Comentários:
Parabéns pelo excelente artigo, que chama a nossa atenção para situações do nosso cotidiano, sem que paremos para refletir a respeito. De fato é isso mesmo o que acontece. E são através de matérias como essa que talvez as pessoas sintam a necessidade de pensar melhor sobre certas atitudes, que em nada contribuem para melhorar o nosso quadro social, já por demais agravado.
Por
Cassiano Freitas, às 28 de fevereiro de 2014 às 10:14
Dr.Cassiano, obrigado pela participação. Forte abraço ao senhor
Por
Marcus Fleury, às 28 de fevereiro de 2014 às 10:35
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