Amor para quem sabe amar.-Capítulo 1-
É inevitável que consigamos compreender o processo da
perda,enfrentando-a, cada um, a sua maneira, afinal, o desinvestimento afetivo
não percebido ou negado por algum tempo por uma das partes, derepente, explode
na sua vida fazendo eclodir uma fase de angústa e profunda dor.
Não há perda sem dor, e não há dor que seja inevitável, quando, derepente,
sentimos que nossa energia afetiva e nossas expectativas investidas em nós mesmos
no contexto de uma relação chegou ao fim.
A dor é a manifestação organizada do “enlouquecimento pulsional”
desencadeada pela ruptura de um laço afetivo. Quando tal processo não acontece,
transpomos os territórios da angústia do Eu, onde agregamos e condesamos todo
um conteúdo , para a perda de parâmetros
em relação a realidade vivida, transformando tal fato numa desagregação
psiquica e na manifestação da variados surtos. Então, num dado momento ao nos
questionarmos quanto se vamos suportar e não enlouqueceremos, já estabelecemos
a própria resposta: Não!
O que idealizavamos como perfeito, quando chega ao fim, nos supreende e por
mais que conheçamos a realidade do relacionamento que vivemos, relutamos em não
querer acreditar e, em virtude de tal condição, partimos para uma série
estratégias, qua na maior parte das vezes apenas protela lo que inevitavelmente
irá acontecer, porém, quanto mais tempo, piores serão as conseqüências
A inaceitação revela que o maior ferido é quem não admite a condição do
termino do que a muito já havia anunciado o fim.Um relacionamento não entra num
processo agudo e finda-se. Ele cumpre etapas, sendo essas, permeadas por
circusntâncias que sinalizam a necessidade quanto a encerrar, pois se o
prolongarmos, estaremos causando um grande mal a nós e, sem dúvida, afetando a
muito que não nos deixaram de amar. Filhos, amigos, pais, irmãos.
Quando sabemos que não há mais como fortalecer vínculos
que já estão completamente destruídos, e mesmo assim insistimos, causamos a nós
mesmos um grande mal estar, ampliando mágoas e aprofundando nossas dores.
Pronto, você definiu,escolheu por sua vida, mesmo que nos próximos dias ou
semana posteriores, sintomas recorrentes surjam, é necessário que você se
prepare e esteja amparado(a) terapeuticamente para compreender os inúmeros mecanismos de defesa e fuga que irão
colocá-lo em dúvida em relação ao que é necessário enfrentar de peito aberto,
não negando dor do término ,mas, consciente que ao final, você, após um
processo que envolve um mix de sentimentos e emoções, consiguirá resgatarar sua
auto-estima e reorganizar-se emocionalmente.
Quanto ao tempo, ele pode ser longo, ou curto, isso , somente você poderá estrututurar;
não há milagre, nem fórmulas mágicas,porém, você bem sabe que toda ruptura é
dolorosa e a sua nao seria diferente, entretanto , nada dói mais que a ausência
de sua dignidade. A ilusao do amor e a
dependencia emocional furta nossas dignidades jogando-nos nas sargetas da
existência.
Tal processo e dor podem ser compreendidos? Sim, tudo pode e deve. A capacidade em
conhecer como os fenômenos psicológicos que promovem e desencadeiam sentimentos
e emoções, caso estejam a nosso alcance, possilitarão a condição em refazermo-nos
mais donos de nós mesmos. Isso é ótimo porque rompemos o cárcere e reassumimos nossas
histórias, sendo sabedores que poderemos transpor todas nossas agruras.
Mas então, como podemos entender essa dor? O que doi não é a ausência fisica do outro,
mas sua forte presença como uma sombra que obstrui o nosso eu em ver-se a si
mesmo como inteiro.
Há uma ausência de nós mesmos quando nos relacionamos, esses momentos,
estão caracterizados por uma tentativa
em transferirmos a responsabilidades de nossos sentimentos a outras
pessoas. Assim sendo, após o término de uma convivência, mal conseguimos ver a
nós mesmos; mal nos reconhecemos diante da grande sombra emocional que se
estabelece sem a real presença fisica do outro.
Com o passar dos dias a sombra vai cedendo espaço e permitindo ver quem realmente
somos , ou aquilo que permitimos que
tornassemos;Vale parafrasear Freud quando o mesmo diz que nunca estamos tão mal
protegidos contra o sofrimento como quando estamos apaixonados
Então, não há outra possibilidade senão assumirmos que necessitaremos
passar por esse período, onde, a princípio, somos em vitude do auto-abandono
grandes estranhos às nossas vidas
Assim, quando rompemos um relacionamento
não conseguimos avaliar o que necessitamos fazer a nós mesmos, afinal, o término
de uma relação, na maior parte das vezes, não permite, a princípio, ver as
coisas como verdadeiramente são
Com o passar dos dia e o acentuar da dor , começamos a retormar nossas
histórias , reunimos o que resta de nós mesmos e assumimos nossas formas em
busca de um todo que nunca deveríamos ter acreditado deixar de existir. Esse
papo de dois em um não funciona para seres humanos. Isso é a pior forma
justificar sua incapacidade em lidar com a sua própria vida.
A dor da perda agrega mecanismos que nos traz de volta e não resta outra
alternativa senão encarar a nos mesmos, sendo esse, o único caminho a quem
deseja se reorganizar para redefinir responsabilidades pessoais em relação ao
seu futuro, através de uma ida ao seu passado, para de lá resgatar quem ficou
ferido em meio aos escombros da ausência existencial.
É necessário saber que o sentimento da perda nunca virá sozinho, mas sempre trará a culpa , a sensação de fracasso
pessoal para que, em seguida, você possa se resignificar. Entretanto é bom
lembrar ,sempre, que amar consiste em assumir riscos , entre eles , o de não
mais estar com alguém que nada mais é era senão uma companhia num momento de
sua história.
Então, se perguntarmos de quem é a culpa não encontraremos nem um , nem
outro, afinal, a relação foi que perdeu o sentido e não mais correspondia às
expectativas, portanto, é incoerente sentir-se culpado ou aceitar o jogo que o
outro faz como se fosse conseguir superar seus conflitos, transferindo a quem
quer que seja,o que é pessoal.
Agora, o momento é do cuidar de si ,
de dar sentido a sua vida
reestabelecendo significados e reorganizando-se internamente no sentido
em preparar-se para viver , futuramente, outras relações. Para tal , é
necessário que você admita sua dor, aceite-a,não como uma derrota, mas como
algo que o fará diante de sua própria história, desenvolver habilidades em
superar um estado que é próprio do momento ao qual você está vivendo, ressaltando
que haverá um fim a tal condição.
O momento das rupturas não é próprio a grandes decisões, portanto, adie ao
máximo circusntâncias que poderão num futuro próximo trazer maiores
aborrecimentos. Esse é o seu momento , e não há nada mais importante que a sua
vida, que a capacidade em saber que amanhã poderá sair-se muito mais fortalecido
e apto a construir condições para que viva a felicidade plena.
Não há satisfações a dar a quem quer que seja, a não ser que você considere
importante, mas, é recomendável saber a quem falar , afinal, há muitas pessoas
quem mal sabem o que farão às suas proprias vidas, quem dirá à sua. Uma dica
mal estruturada, pode remetê-lo novamente a estados muito piores. Lembra-se de
um dia ter conversado com alguém e ao final sentiu-se um muito pior do que
antes estava? Pois é, isso acontece nesse mundo de achistas. Esse é o seu
momento, e renascer é uma condição muito, mas muito dolorosa a quem tem que
parir a si mesmo.
Assim, havará dias em que você se sentirá muito mal, como se houvesse
retornado ao dia da ruptura, ou mesmo,
bateu aquela lembrança de um determinado dia importante, musica, lugar ,
bebida, enfim, algo que marcou. Claro, se fosse um sofrimento sem sentido ou
causa, o diagnóstico seria outro, mas trata-se de uma perda em sua vida, em algo de sua história , então , nada mais natural que compreendamos
que as lembranças não serão jamais deletadas, mas devemos encontrar uma forma que nos faça reinterpretar
a vida como um espectáculo , repleta de atos , mas sempre com uma finalização.
Imagine sua vida sem histórias, como seria se apenas você , sozinho,
estivesse nesse mundo. Pense no silêncio; pare um pouco e imagine-se nessa
condição. Pensou ? Há como negar?
Então , nada melhor que possa a seu tempo, a seu ritmo reestruturar-se sem
se preocupar com as velhas cobranças em ter que velozmente apresentar mudanças
a quem quer que seja. Isso acontecerá , obdecendo o rítmo de suas próprias
respostas internas, reconhecendo que não há uma ordem pre-estabelecida que atenda ao
luto, mas, é imprecindível apenas reconhecê-lo, não negando a perda, nem muito
menos tente enganar-se subimando seus sentimentos, trasnferindo-os para o
trabalho , para a alimentação, para o tabaco, para as drogas e bebidas. Atos
compulsivos são geradores de grande ansiedade e em seguida depressões que
encerram muitas vezes nossas caminhadas justamente pelo medo que temo sem
relação ao novo.
Quantas são as pessoas que sujeitaram-se a anulação de suas histórias, justamente
por que não mais se dispuseram enfrentar um tempo vazio em suas vidas, iludidas
pelas falsas crenças que a amor proporciona?
Nietzsche dizia : “O amor é o estado no qual os homens têm mais
probabilidades de ver as coisas como elas não são” . Então é isso, quando
pedemos o foco de nossa própria existência, passamos a colecionar medos mais
variados, entre eles, a crença na impossiblidade quanto a vivermos sem aquele(a)
que não mais acrescenta, aliás,apenas dimuniu a alto-estima e distorce a alto-imagem,
tonando-nos estranhos a nós mesmos,
dotados de uma identidade que nem mais se parece ser a de quem um dia optou em ser feliz.
A vida ao tornar-se o sentido dos problemas, perdendo a assim o grande
fascinio que a existência causa, limita os desafios e resume naquilo que grande
parte das pessoas decidem ser, em troca de trintas moedas de convenções sociais
, ou mesmo, no restrito sentido do que imaginavam poder comprar com tão pobres
peças de pouco valor; então, optam por tornarem-se um nada, cuja história, foi
deformada quando o amor subjulgou a liberdade. Aí então, conforme afirmava
Nietzsche, “passamos a ver as coisas como elas não são” , perdendo-nos por
sequer imaginar ou mesmo se nos lembrarmos do que uma dia possuíamos e por tão
pouco colocamos a perder.
Se o amor falhou, a princípio lamento muito, mas quando você conseguir
compreender que a vida, não encerra-se em quem quer seja, brindaremos juntos ,
pela oportunidade em poder tentar outra, outras vezes, porém , é imprescindível
que cada um tenha seu tempo para reorganizar-se não levando o passado para algo
que seja inteiramente novo.
Não há um tempo prescrito,nem mesmo, na condição de um outro amor; esse papo
que somente um amor cura o outro, nada mais é, senão, uma condição em sempre
estarmos cobrando de outra pessoa aquilo que nunca tivemos no passado.
Esse é um passo arriscado, pois se não conseguimos estruturar o luto, e na tentativa em negá-lo adotamos mecanismos
de fuga elegendo uma outra pessoa imaginando que ela será a ponte de transição
entre uma etapa que necessita ser vivida, e outra que começa com inúmeras responsabilidades
e cobranças, e mesmo que veladas, em breve, implantaremos mais uma vez a
vingança de uma amor doentio que subjulga a liberdade.
Somente estaremos prontos para viver um outro relacionamento, quando passarmos a compreender a saudade apenas
como uma lembança daquilo que não mais existe; nada mais que isso.
Marcus Antônio Brito de Fleury Junior- ateliedeinteligencia@gmail.com
1 Comentários:
Excelente!!
Por
josemar, às 11 de dezembro de 2014 às 06:15
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